16 Dezembro 2009

TURISMO E O CLIMA DO PLANETA TERRA

Esta material, tem a intenção de ampliar o debate sobre a atividade turística e as mundanças climáticas no planeta. Deixo aqui aberto espaço para toda contribuição sobre o tema. Otavio Demasi

O setor de turismo está preocupado com suas emissões de carbono, que devem corresponder a 5% do total de gases de efeito estufa lançados na atmosfera. Isso porque a atividade será diretamente afetada pelas conseqüências do aumento de temperatura no planeta – já previsto em 2 graus. A subida do nível do mar pode inundar cidades inteiras, o aumento da quantidade de chuvas em uma região ou a seca em outra podem representar o fim de um destino turístico e as catástrofes ambientais podem reduzir o volume de circulação de dinheiro no ramo. A preocupação com o assunto começou em 2003, durante a 1ª Conferência Internacional sobre Mudanças Climáticas e Turismo, em Djerba, na Tunísia, mas as discussões ganharam força em 2007, na segunda edição do evento, que aconteceu em Davos, na Suíça. Na ocasião, constatou-se que:
- o clima é um elemento fundamental para a existência do turismo, que deverá ser duramente afetado por conta do aquecimento global;
- o turismo continuará a ser um componente vital para a economia do mundo e um grande contribuinte para atingirmos os Objetivos do Milênio até 2015;
- é cada vez mais urgente adotar políticas que considerem o turismo como um meio para a redução da pobreza e o enfrentamento do desafio das mudanças climáticas e que encorajem o setor a agir com responsabilidade ambiental, social, econômica e climática;
- o turismo precisa mitigar suas emissões de gases de efeito estufa, especialmente as provenientes de transporte e hospedagem;
- há que se pensar em meios de adaptar o negócio turístico e os destinos às inevitáveis mudanças do clima;
- é fundamental usar as tecnologias já existentes e criar novas tecnologias que garantam a eficiência energética e
- será necessário garantir recursos financeiros para ajudar as regiões mais pobres a lidar com os efeitos das mudanças climáticas.
A partir disso, os integrantes da 2ª Conferência Internacional sobre Mudanças Climáticas e Turismo observaram que os governos e organizações internacionais devem comprometer o setor na redução de emissões de carbono e lidar com o desafio do aquecimento global. Para tanto, entre outras coisas, eles devem implementar medidas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, prover recursos técnicos e financeiros para os destinos turísticos nos países em desenvolvimento e, especialmente, nos menos desenvolvidos e implementar programas de educação e preocupação que envolvam todos os stakeholders do ramo turístico.
À indústria do turismo e aos destinos, caberia a responsabilidade de mitigar suas emissões, estabelecendo metas e indicadores para monitorar o progresso das ações nesse sentido, utilizar energias renováveis e reduzir sua pegada ecológica, esforçar-se para manter a biodiversidade local e engajar seus clientes neste processo.
Os turistas devem escolher os lugares para onde vão viajar, considerando os impactos econômicos, sociais, ambientais e climáticos em suas escolhas, levando em conta onde podem ter uma menor pegada de carbono ou compensar suas emissões quando não puderem ser reduzidas. Ao optar por passeios e serviços, devem dar preferências às atividades que preservem o meio ambiente e respeitem a cultura local.
mudanças climáticas e que, certamente, vai contemplar o ramo turístico tanto em termos de obrigações quanto de proteção.

II-
O turismo é um segmento que vivenciou um crescimento fenomenal em um mundo cada vez mais globalizado. Mas asforças da globalização confrontam no momento esse setor com um novo e sério desafio - o da mudança climática. Serápreciso uma série de ajustes no longo prazo, e isso acarretará vencedores e perdedores.Ironicamente, o setor de turismo irá melhorar nos países do hemisfério norte que mais contribuíram para as emissões decarbono na atmosfera, o que conduziu à mudança climática. E o turismo nos países por todo o hemisfério sul, quecontribuíram relativamente pouco para essa poluição, serão os que irão sofrer.
O setor internacional do turismo foi marcado por mudanças no fornecimento e na demanda. O comportamento nasviagens de muitos consumidores modificou consideravelmente, e alguns fatores-chave que caracterizam a mudançaincluem reservas de última hora, maior conscientização sobre os preços, viagens de férias mais curtas, o desejo deflexibilidade e individualidade, e a tendência para férias com temas específicos.
Do lado do fornecimento, mudanças significativas incluem o maior sucesso das operadoras de preços mais módicos, enovos canais de distribuição como a internet. O setor turístico vive e continuará a viver tempos de turbulência.
É surpreendente que esse setor tenha conseguido um crescimento extremamente alto durante os últimos anos. Segundoa Organização Mundial do Turismo (OMT), agência da Organização das Nações Unidas (ONU), entre 2000 e 2007 o volumedo turismo internacional aumentou uma média anual de cerca de 4%, para quase 900 milhões de pessoas.
Entretanto a mudança climática irá impor novos desafios para o setor. Ao contrário dos desastres naturais ou dosatentados terroristas, esse não é apenas um efeito de curto prazo que pode ser logo esquecido. Diversamente, amudança climática irá alterar permanentemente o que tornava atraente certas regiões turísticas, e forçá-las a tomarmedidas para se adaptar nas próximas décadas. Muitas pessoas ligadas ao turismo antecipam que as mudanças
regionais e sazonais tanto em nível nacional quanto internacional, irão ocorrer nos próximos anos.
A fim de melhor identificar os países nos quais o setor de turismo irá se beneficiar com as mudanças de clima e nosquais são esperados efeitos negativos, o Deutsche Bank Research comparou os países mais importantes na área deturismo com a ajuda de um modelo baseado em quatro parâmetros acessados, quantitativa ou qualitativamente paratodos os países. Em primeiro lugar, os efeitos climáticos diretos; em segundo, efeitos substitutos resultantes do clima;terceiro, encargos reguladores, e em quarto, a possibilidade de cada país precisar se adaptar aos efeitos climáticos.
A meta é 2030. Em um segundo momento também identificamos os países nos quais a dependência econômica noturismo vinculado ao clima é particularmente grande.
Podemos resumir os resultados de nossa avaliação em duas frases: o Norte, responsável por uma grande parte demudança climática antropogênica, vencerá. O Sul, cuja contribuição para a mudança climática ainda é relativamentepequena, perderá.
Entretanto é plausível fazer a distinção entre as diferentes regiões; na Europa, os países próximos ao Mediterrâneo irão emparticular ser afetados com as mudanças de clima. As temperaturas mais elevadas e a falta de água poderão afastar osturistas na alta estação. Isso é especialmente verdadeiro tratando-se de países do lado leste do Mediterrâneo. Em
contrapartida, os países que poderão sair ganhando incluem a Dinamarca, Alemanha e os do Báltico. França e Itáliaserão ligeiramente favorecidas, devido à diversidade de turismo que oferecem.Canadá, Nova Zelândia e Estados Unidos são os únicos três países fora da Europa cujos setores turísticos ficarão dolado vencedor. A conclusão reversa é que o setor turístico em todos os países pesquisados na África, América Latina e Ásia irão ser afetados pelas mudanças de clima, em diferentes graus, nas próximas décadas.
Os países mais pobres como a Tanzânia, Quênia e Caribe puseram grandes esperanças no turismo como alavanca parao desenvolvimento. Mas nossa pesquisa sugere que a mudança de clima irá impor prejuízos adicionais.As conseqüências climáticas negativas sempre produzem efeitos sérios em articular nas áreas onde o clima afeta o
turismo - praias, locais de trilhas, estações de esqui - repercutindo na economia. Na Europa essa tese se aplica paraMalta, Chipre, Espanha, Áustria e Grécia. No Caribe, as Bahamas e Jamaica serão extremamente afetadas; na Ásia, aTailândia e a Malásia; e na África , a Tunísia e Marrocos. As ilhas no Pacifico Sul e Oceano Índico confiam particularmente no turismo. Caso o turismo se afaste dali, os problemas econômicos serão muito graves.Nossa análisedemonstrou que os perigos da mudança climática para o setor turístico reduzem as possibilidades dareceita, em especial para os países pobres, e até aumentam os conflitos. A instalação de um setor turístico local constituiuuma importante contribuição para o desenvolvimento econômico de muitos mercados emergentes, incluindo as ilhas no Pacífico Sul e Oceano Índico, México e Tunísia. O potencial poderá ser reduzido no futuro não apenas pelas piorescondições climáticas. O aumento de preços nos principais mercados do turismo, em especial na Europa, também poderálimitar o crescimento potencial de "novos" destinos de férias.
Caso os preços das passagens aéreas aumentem, por exemplo, menos pessoas viajarão para locais distantes, e oimpacto econômico negativo será palpável, em especial nos países pobres. Isso significa que as medidas tomadaspelos países industrializados para reduzir suas próprias emissões de gases estufa, e portanto sua contribuição para amudança climática, poderão causar efeitos econômicos negativos em outros países. A mudança do clima poderá aumentar
o desequilíbrio global na distribuição de renda.
Esse desafio não é algo fácil de enfrentar. O progresso tecnológico é sem dúvida uma alavanca importante. Novastecnologias precisam ser desenvolvidas para aumentar substancialmente a eficiência energética do setor detransportes, de modo que o impacto no clima da Terra possa ser reduzido, e viajar não se torne um bem de luxo. O
apoio governamental para a pesquisa básica poderá ajudar. Entretanto as transferências diretas de pagamentos paraos países afetados pela mudança climática poderão se tornar necessárias no médio ao longo prazo, a fim de permitirque esses países se adaptem às conseqüências negativas.kicker: Ironicamente, países do Hemisfério Sul, que contribuíram menos com a poluição mundial, serão os maisprejudicados
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 7)(Eric Heymann - Eric Heymann é economista sênior do Deutsche Bank
Research em Frankfurt, Alemanha)
Bem vindo ao YouSol
III-
turismo y servicios
O Turismo enfrenta o desafio das mudanças climáticas
As mudanças climáticas se transformaram no principal tema de preocupação a nível global. Hoje ninguém põe em dúvida sua existência, e sua incidência é avaliada por relatórios científicos, estudos econômicos, recebendo uma divulgação cada vez maior através de cobertura da mídia. Para o Turismo, as mudanças climáticas não são acontecimentos futuros, mas um fenômeno que já impacta o setor.
Hoje em dia são necessárias medidas urgentes no setor do Turismo para adaptar-se às instáveis condições do clima, adotando ações preventivas para enfrentar os futuros efeitos das mudanças climáticas, assim como minimizar o impacto que o turismo produz sobre o meio ambiente, gerando dessa forma um desenvolvimento sustentável para a atividade.
Sob o lema "O Turismo enfrenta o desafio das mudanças climáticas", no próximo dia 27 de setembro, o Peru será o país anfitrião para as Américas do Dia Mundial do Turismo e realizará a próxima Assembléia Geral Ordinária da Organização Mundial do Turismo (OMT). O evento congregará os agentes públicos e privados interessados em contribuir com a evolução do planejamento e da ação do setor, apontando para uma sustentabilidade global.
O Turismo é um dos poucos setores que abrange uma completa gama de atividades econômicas e sociais e é um motor, de capital e emprego, essencial no mundo em desenvolvimento. No seu entorno trabalham desde guias turísticos até chefs de renome internacional, artistas, artesãos e artesãs, grande parte da aviação e do transporte mundiais, as indústrias do entretenimento e dos jogos de azar, entre muitas outras.
Vejamos somente alguns dados:
• Em 2006, os ingressos devidos ao turismo internacional alcançaram 733.000 milhões de dólares, isto são 2.000 milhões de dólares diários.
• O turismo representa cerca de 35 por cento das exportações mundiais de serviços e mais de 70 por cento nos países em desenvolvimento.
• Em 2007 foram registradas 868 milhões de chegadas internacionais, 52 milhões a mais do que em 2006. Isto representa 6,5 por cento de crescimento anual entre 1950 e 2007.
• Para 2020 estão previstas 1.600 milhões de chegadas de turistas internacionais em todo o mundo, o dobro de 2006.
• Na há no mundo outra atividade econômica com uma taxa de crescimento semelhante. Em conseqüência, podemos e devemos desempenhar um papel ativo para fazer face ao duplo desafio de responder às mudanças climáticas e de diminuir a pobreza, ambos Objetivos do Milênio das Nações Unidas.
Nosso chamamento à ação está destinado a modificar hábitos de emprego e de consumo, a colaborar para que a energia renovável se situe na vanguarda da resposta internacional, incentivando os agentes de turismo a tomar medidas de adaptação e diminuição do aquecimento global, assim como a utilizar as novas tecnologias a nossa disposição.
En Buenos Aires, Norberto Latorre*Rel-UITA11 de julho de 2008 Presidente Mundial do Setor HRCT da UITAIlustração: unwto.org
IV-
Mudanças climáticas devem estimular pesca, turismo e energia no Pantanal (18/09/2009) Rui Madruga
As atividades de pesca, turismo e a produção de energia a partir de aguapés que descem os rios são três possibilidades de aproveitamento econômico dos recursos do Pantanal, caso as mudanças climáticas aumentem os períodos de cheia na região.
Este cenário foi apresentado pelo pesquisador André Steffens Moraes, da Embrapa Pantanal, em Buenos Aires, Argentina, entre os dias 24 e 26 de agosto, na 6ª Reunião Técnica Internacional da Rede Cyted "Efeitos das Mudanças Globais sobre Áreas Úmidas da Iberoamerica".
André apresentou a palestra “Cenários de Desenvolvimento Sustentável no Pantanal em Função de Tendências Hidroclimáticas”, e trabalhou com dois cenários futuros possíveis para a região em função das mudanças climáticas: aumento e redução do período de alagamento.
Os prognósticos traçados sobre as atividades econômicas mais promissoras no Pantanal indicam que a pecuária vai permanecer nos dois cenários, mas com futuros diferentes. Segundo André, caso aumentem os períodos de cheias, ela deve ceder espaço para as três atividades citadas acima, sendo a produção de energia a partir de aguapés uma atividade nova na região.
Essa biomassa vegetal aquática apresenta diversos potenciais econômicos a médio prazo, como produção de fertilizantes orgânicos, de fibras e de energia (bio-óleo, biocarvão, etanol celulósico, gás de síntese, hidrocarbonetos renováveis).
“Caso prevaleça a seca, poderão ser implementados sistemas combinados de produção silvopastoril, incluindo o replantio de plantas nativas em áreas antes alagadas, para aproveitamento econômico dessas espécies”, explicou o pesquisador da Embrapa Pantanal (Corumbá-MS), Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Como exemplo, cita produtos do setor florestal, tais como madeira para uso na construção civil e na indústria moveleira, produção de fibras e frutos, extração de gomas, óleos e essências e demais subprodutos da silvicultura.
Cenários hidroclimáticos são úteis porque permitem identificar oportunidades para as próximas décadas, em função da mudança de clima. Nos prognósticos realizados também foram consideradas as mudanças e tendências da economia mundial e o valor dos serviços ambientais produzidos pela região.
Desenvolvimento Sustentável
Como usar esses cenários em favor do desenvolvimento sustentável do Pantanal? Os cenários ambientais e econômicos prognosticados permitiram definir formas de manter os serviços ambientais e mitigar a emissão de gases de efeito estufa, o que se daria pela geração e uso de tecnologias de manejo de biomassa vegetal aquática (aguapés) e terrestre para diversas finalidades, principalmente produção de energia e insumos renováveis. Tais atividades podem possibilitar benefícios sócio-ambientais, tais como a diversificação da renda, o seqüestro de carbono, a redução da pressão sobre matas nativas e a redução da emissão de gases de efeito estufa.
Cientistas da Embrapa Pantanal identificam que haverá um aumento dos índices de chuva até 2070, em decorrência do aumento no transporte de umidade do Oceano Atlântico Equatorial e da Floresta Amazônica para a região central da América do Sul. Mas isso não significa aumento das cheias, já que a região tem déficit hídrico. O déficit hídrico ocorre quando o volume de evaporação das águas é maior que o volume de chuvas.
Rede
O Cyted é o Programa Iberoamericano de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento e reúne 19 países da América Latina, Portugal e Espanha. Desde que foi criado, em 1984, gerou quase 200 redes temáticas. A rede que se reuniu na Argentina é uma delas, foi formada em 2004 e está se encerrando agora, em 2009.
O objetivo desta rede é propiciar a cooperação entre especialistas iberoamericanos, o intercâmbio de experiências e a transferência de conhecimentos sobre os efeitos das mudanças globais sobre as áreas úmidas e sua repercussão em três direções fundamentais: a vulnerabilidade dos recursos hídricos; a biodiversidade, a vulnerabilidade de espécies e a resiliência; e a segurança alimentar e a saúde humana.
O pesquisador disse que em breve deve ser criada uma outra rede sobre o tema, mais ampla. "A ideia é incluir as áreas glaciais e de montanhas, além de manter os estudos em áreas úmidas", afirmou. As reuniões técnicas acontecem uma vez por ano. Desta vez, cerca de 15 profissionais participaram.
Ana Maio(Mtb 21.928)Embrapa Pantanal (Corumbá/MS)Contato: (67) 3234-5864
V-
http://bd.camara.gov.br/bd/bitstream/handle/bdcamara/1745/mudancas_climaticas_turismo_desporto.pdf?sequence=1
MUDANÇAS CLIMÁTICAS:o TURISMO em busca daECOEFICIÊNCIA
Centro de Documentação e Informação
Edições Câmara
Brasília | 2008
Comissão de Turismo e Desporto - Câmara dos Deputados
Documento Brasileiro para o DiaMundial do Turismo - ação parlamentar

Ação parlamentar
n. 377
Dados Internacionais de Catalogação-na-publicação (CIP)
Coordenação de Biblioteca. Seção de Catalogação.
Mudanças climáticas : o turismo em busca da ecoeficiência. – Brasília : Câmara dos Deputados, Edições
Câmara, 2008.
XX p. – (Série ação parlamentar ; n. 377)
Ao alto do título: Câmara dos Deputados, Comissão de Turismo e Desporto.
Documento brasileiro para o Dia Mundial do Turismo.
ISBN 978-85-736-5567-4
1. Turismo, aspectos ambientais. 2. Proteção ambiental. 3. Desenvolvimento sustentável. 4. Clima,
alteração. I. Série.
CDU 338.48
ISBN 978-85-736-5567-4
ação parlamentar
Comissão de Turismo e Desporto
http://www.portaldocomercio.org.br
Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
ação parlamentar
Comissão de Turismo e Desporto
Sumário
POR QUE DISCUTIR TURISMO E ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS?................4
Deputado Albano Franco (PSDB/SE)
Presidente da Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados
Deputado Alex Canziani (PTB/PR)
Presidente da Frente Parlamentar de Turismo
AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS E O TURISMO..........................................17
Senadora Lúcia Vânia (PSDB/GO)
Presidente da Comissão de Desenvolvimento
Regional e Turismo do Senado Federal
EM DEFESA DA PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE............................19
Antonio Oliveira Santos
Presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens,
Serviços e Turismo/SESC/SENAC
UMA AGENDA AMBIENTAL PARA O TURISMO......................................20
Luiz Barretto
Ministro do Turismo
MUDANÇAS CLIMÁTICAS E TURISMO,
UM DEBATE INADIÁVEL..........................................................................22
Carlos Minc
Ministro do Meio Ambiente
MUDANÇAS CLIMÁTICAS: O TURISMO EM BUSCA
DA ECOEFICIÊNCIA......................................................................25
Impactos das mudanças climáticas no turismo............................................................................ 26
As Emissões de CO2 e Atividade Turística..................................................................................... 29
O Turismo rumo à Ecoeficiência................................................................................................... 31
Mecanismos de Desenvolvimento Limpo e Crédito de Carbono : Alternativas para quem quer
atenuar o aquecimento global.................................................................................................................. 33
BIBLIOGRAFIA...............................................................................35
PROPOSTA PRELIMINAR DE AÇÃO A SER COORDENADA
PELO PODER LEGISLATIVO..........................................................37
ação parlamentar
11
Comissão de Turismo e Desporto
Apresentação
Por que discutir turismo e alterações climáticas?
Por deliberação da Assembléia Anual da Organização Mundial do
Turismo (OMT) o Dia Mundial do Turismo (27 de setembro), nesse
ano de 2008, será dedicado a uma reflexão em todo o planeta sobre
os impactos das mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento
global sobre as atividades turísticas.
Por que debater o turismo e alterações climáticas?
A gravidade das conseqüências do aquecimento global é hoje uma
consciência indiscutível e imperiosa para qualquer empresário, trabalhador,
político ou mesmo o mais comum dos cidadãos. Afinal, o que
está em jogo é a própria sobrevivência da humanidade.
A preocupação com a sustentabilidade do turismo, do ponto de
vista da preservação ambiental, é um fenômeno relativamente recente.
Até a bem pouco tempo afirmava-se que o turismo era a “indústria
sem chaminés”, como se fosse uma atividade econômica desprovida
de impactos ambientais. Uma maior consciência ambiental não é surpreendente
em um setor cuja atividade vive em grande parte do meio
ambiente, e de seus atrativos e belezas naturais.
A transformação dessa consciência em ações práticas é o grande desafio
do turismo no século XXI. É preciso, entretanto, que toda cadeia
do turismo se engaje nesta que podemos chamar de luta pela integra-
O presente documento pretende subsidiar as discussões sobre “O Turismo e as Mudanças do
Clima” a serem conduzidas durante a II Semana do Turismo no Congresso Nacional (Brasília,
22 a 28 de setembro de 2008). A II Semana Nacional do Turismo é uma realização de Parceria
Turismo Brasil que reúne a Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados, a
Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado Federal, a Frente Parlamentar
de Turismo e o Sistema Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo-
SESC-SENAC.Mais informações, acesse www.parceriaturismobrasil.com.br
ação parlamentar
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Mudanças Climáticas: O Turismo em busca da Ecoeficiência
ção suave do ambiente natural com a atividade turística, o que inclui
cuidados que vão da edificação de infra-estrutura ao manejo do lixo e
à emissão de gases tóxicos.
A Lei Geral do Turismo, recentemente aprovada, por sua vez, oferece
ao governo, aos empresários e aos trabalhadores em atividades
turísticas importantes instrumentos legais para a modernização e a
reestruturação do setor. Esta lei surge num momento em que o setor
do turismo se apresenta muito mais maduro e muito mais exigente. A
própria globalização, que difunde novos padrões e novas regras, simplifica
e agiliza as relações em toda a cadeia produtiva do turismo. Mas,
ao mesmo tempo, demanda regulamentação mais eficiente, tanto nas
políticas governamentais e públicas, quanto nas regras cíveis e comerciais
do setor privado.
Dentro desses padrões mundiais de qualidade, o selo ambiental,
com a adoção de boas práticas que aumentem a ecoficiência dessa atividade
econômica, certamente se tornará a cada dia, uma exigência do
próprio consumidor e do mercado mundial. Vencer esse desafio, é portanto,
indispensável para a sobrevivência do próprio turismo nacional
e sua competitividade.
O Congresso Nacional não se esquivou de suas responsabilidades
para com a Nação e o Planeta. Constituiu Comissão Mista Especial sobre
Mudanças Climáticas com as funções de acompanhar, monitorar e
fiscalizar as políticas referentes ao assunto no Brasil, já tendo aprovado
seu relatório final.
De nossa parte, como presidentes da Comissão de Turismo e Desporto
da Câmara dos Deputados e da Frente Parlamentar do Turismo
estamos empenhados nesta tarefa que, junto com o ato de representar
o povo brasileiro, apresenta-se como uma das maiores atribuições e
responsabilidades do parlamento brasileiro: a de incentivar e mobilizar
o debate nacional sobre os grandes desafios para o nosso desenvolvimento
como Nação. Ao realizarmos nossa II Semana Nacional do
Turismo no Congresso Nacional, dentro dos limites que a coincidência
com o pleito municipal nos impõe, pretendemos ampliar a reflexão e o
conhecimento dos congressistas, para os desafios do turismo nacional,
e sua imensa contribuição para com o desenvolvimento econômico e
a geração de emprego e renda.
ação parlamentar
13
Comissão de Turismo e Desporto
Ao nos irmanarmos à Organização Mundial do Turismo nessas comemorações
do Dia Mundial do Turismo, o fazemos com o espírito de
contribuir para a construção do nosso turismo dentro das referências
de qualidade e dos paradigmas de excelência do mercado mundial
Daí a necessidade de discutirmos turismo, ecoeficiência e alterações
climáticas. Nesse Dia Mundial do Turismo, conclamamos a todos para
uma reflexão construtiva a respeito do tema definido com grande acerto
e de forma oportuna pela Organização Mundial do Turismo para
este ano de 2008.
Deputado Albano Franco
Presidente da Comissão de Turismo e Desporto
da Câmara dos Deputados
Deputado Alex Canziani
Presidente da Frente Parlamentar do Turismo
Ação Parlamentar
ação parlamentar
15
Comissão de Turismo e Desporto
Há alguns anos o Congresso Nacional comemora, no dia
27 de setembro, o Dia Mundial do Turismo. Esta data
foi estabelecida pela Organização Mundial de Turismo
– OMT para que, em todo o mundo, o turismo seja não apenas
lembrado, mas motivo de reflexão, debates e divulgação.
Em 2007, a Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo
do Senado Federal, em parceria com a Comissão de Turismo e Desporto
da Câmara, a Frente Parlamentar do Turismo e com o apoio
da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
– CNC, promoveram a I Semana Nacional do Turismo no Congresso
Nacional que, além de comemorar a data do turismo, fez dos
espaços da Câmara e do Senado palcos para exposições, homenagens
e debates acerca do papel desempenhado pelas mulheres na
atividade turística. Naquele ano, fora este o tema que a OMT havia
estabelecido como o foco das discussões mundo afora.
A estratégia da OMT de unificar, anualmente, as discussões sobre
o turismo resulta em uma maior conscientização sobre questões
importantes afetas à atividade. Para 2008, em sintonia com as preocupações
predominantes com o aquecimento global, a OMT propôs
que se discuta como o turismo contribui para isto, quais os possíveis
impactos futuros sobre a atividade e como o segmento deverá
se posicionar em busca da Ecoeficiência.
No Congresso Nacional, o aquecimento global já faz parte das
nossas preocupações. Em dezembro de 2007 foi constituída, sob a
As Mudanças Climáticas e o Turismo
ação parlamentar
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Mudanças Climáticas: O Turismo em busca da Ecoeficiência
presidência do Deputado Ricardo Trípoli, a Comissão Mista Especial
sobre Mudanças Climáticas, destinada a acompanhar, monitorar e
fiscalizar as ações referentes às mudanças climáticas no Brasil. O
relatório final foi apresentado em junho de 2008 pelo relator, o
Senador Renato Casagrande.
Assim, neste ano, de 22 a 28 de setembro, comemoraremos a
II Semana Nacional do Turismo no Congresso Nacional, esperando
trazer uma nova contribuição para o debate sobre as Mudanças
Climáticas ao posicionar o turismo nesse contexto. Acima de tudo,
esperamos sensibilizar os parlamentares, como legisladores e formadores
de opinião, sobre a importância do tema em discussão.
Como mostram os dados da própria OMT, não se pode ignorar
que o turismo hoje já contribui com cerca de 5% dos gases que
provocam o Efeito Estufa. Além do mais, é necessário lembrar que
o turismo internacional cresce a taxas extremamente elevadas, mobilizando
atualmente cerca de 900 milhões de cidadãos em todo o
mundo, devendo chegar a 1,6 bilhão em 2020.
A velocidade das transformações provocadas pelo crescimento
econômico global e as novas tecnologias, que jogam permanentemente
novos consumidores turísticos no mercado, não têm encontrado
a mesma celeridade em respostas que garantam a sustentabilidade
dos destinos.
Apesar de todas as campanhas, discussões, normas e controles,
sabemos que o turismo sustentável ainda é marginal no contexto
geral da atividade turística. Mesmo os países mais avançados em
turismo têm distorções graves com relação à super exploração de
seus destinos. Entretanto, isto era, até agora, uma discussão que
se limitava aos impactos ambientais locais, cujo controle e efeitos
poderiam ser objeto de ações específicas.
O desafio agora é muito mais amplo e genérico. Estamos falando,
além dos impactos locais que o Aquecimento Global possa ocasionar,
de impactos globais que afetarão a todos, mesmo aqueles
que não façam turismo, nem sejam turistas.
Portanto, nada mais oportuno do que trazer essa questão, para o
Congresso Nacional, visando enriquecer e dar prosseguimento às
discussões sobre o tema.
ação parlamentar
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Comissão de Turismo e Desporto
Ao mesmo tempo será uma oportunidade de discutirmos as recomendações
da OMT à luz das recomendações e propostas constantes
do relatório resultante da Comissão Mista das Mudanças Climáticas
do Congresso Nacional.
Senadora Lúcia Vânia
Presidente da Comissão de Desenvolvimento
Regional e Turismo do Senado Federal
EM DEFESA DA PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE
O turismo é um dos caminhos mais prósperos para o Brasil fortalecer
a sua economia. Sabiamente, a Organização Mundial do Turismo
(OMT) escolheu o tema “O turismo enfrenta o desafio das
mudanças climáticas” para marcar, em 2008, o Dia Mundial do Turismo
– 27 de setembro – na expectativa de que possamos construir
um modo de turismo sustentável tendo a natureza como ponto de
preservação e criando mecanismos sólidos que possam favorecer as
atividades turísticas sob os pontos de vista ecológico e econômico.
O Sistema Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços
e Turismo (CNC-Sesc-Senac) assumiu desde a sua criação em
1945, o compromisso com a valorização da vida: ampliou conceitos
no âmbito do lazer do trabalhador, investiu na democratização e
socialização dos bens da cultura e mantém-se empenhado na promoção
da qualidade de vida e na valorização da cidadania.
Em 1996, o SESC Nacional criou a Estância Ecológica SESC Pantanal
com a missão de implementar atividades e projetos voltados
à conservação e à preservação do Pantanal Matogrossense e ao desenvolvimento
sustentável das populações locais. Ao lado disso, ou
mais do que isso, o SESC Pantanal estabeleceu entre os seus objetivos
o desenvolvimento do ecoturismo, consciente do potencial de
conservação dos recursos naturais e a alternativa econômica para a
população local que a atividade apresenta.
Ação Parlamentar
ação parlamentar
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Mudanças Climáticas: O Turismo em busca da Ecoeficiência
É, portanto, a preocupação com a preservação do meio ambiente,
uma das marcas do Sistema CNC-Sesc-Senac, entrelaçando-a
com a atividade turística que possui incrível capacidade de gerar
emprego e renda.
A parceria com o Congresso Nacional, por meio das Comissões
de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados e de Desenvolvimento
Regional e Turismo do Senado Federal e da Frente Parlamentar
do Turismo, é motivo de satisfação e sempre de esperanças para
o nosso Sistema que tem procurado manter o diálogo e a convergência
de idéias no segmento de turismo.
Antonio Oliveira Santos
Presidente da Confederação Nacional do
Comércio de Bens, Serviços e Turismo
UMA AGENDA AMBIENTAL PARA O TURISMO
O Brasil é dono de riquezas naturais incomparáveis. O Ministério
do Turismo, criado em 2003, trabalha o desenvolvimento turístico
do País baseado nos princípios da sustentabilidade ambiental,
sociocultural, econômica e político-institucional. Eles são componentes
de garantia de um turismo sustentável, capaz de gerar negócios,
empregos e renda e promover o desenvolvimento econômico
e social.
Este Ministério, considerando que a cultura e o meio ambiente
são matéria-prima do turismo, atua em estreita parceria com o Ministério
do Meio Ambiente na construção de uma agenda ambiental
para o turismo. O MMA integra o Conselho Nacional de Turismo e
os diversos dirigentes do turismo são incentivados a fazer o mesmo
em níveis estadual e municipal. O MTur entende que patrimônio
ambiental também é patrimônio turístico e que o incentivo ao turismo
é uma forma de preservação.
Juntos, nós e o MMA desenvolvemos uma ação inovadora nos
parques nacionais brasileiros. O programa Turismo nos Parques traação
parlamentar
19
Comissão de Turismo e Desporto
balhará, num primeiro momento, com seis áreas de preservação.
A proposta é aproximar o setor turístico das riquezas naturais dos
parques do país, tornando as áreas de preservação mais conhecidas
e apreciadas pelo turista. O programa inclui também uma nova política
de concessão para prestação de serviços turísticos em parques.
MTur e MMA também criarão um Grupo Técnico de Turismo Sustentável,
que vai analisar investimentos em regiões turísticas sustentáveis
e áreas turísticas que ficam dentro de unidades de preservação
ambiental. Além de definir instruções normativas regulamentando
a função de guias turísticos dentro das regiões preservadas.
As pesquisas indicam que 19% dos visitantes estrangeiros que
desembarcam no Brasil vêm motivados pelo turismo de aventura
e ecoturismo. Para garantir a exploração desse segmento turístico
com segurança e qualidade, o MTur desenvolve o programa Aventura
Segura, há cinco anos, em parceria com o Sebrae Nacional e
com a Abeta – Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e
Turismo de Aventura. Hoje, o Brasil está no mapa-múndi dos que
buscam esses segmentos turísticos.
Por tudo isso, o Ministério do Turismo apóia a iniciativa do Senado
Federal, da Câmara dos Deputados, da Frente Parlamentar do
Turismo e da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços
e Turismo/SESC/SENAC de realizar a II Semana Nacional de Turismo
no Congresso Nacional com o tema “Mudanças Climáticas: o turismo
em busca da ecoeficiência”. Trata-se de uma excelente oportunidade
para o debate turismo e meio ambiente e a conscientização
de todos sobre a importância desse tema num País que, segundo o
Fórum Econômico Mundial, é o terceiro em recursos naturais para
o turismo em todo o mundo.
Luiz Barretto
Ministro do Turismo
ação parlamentar
20
Mudanças Climáticas: O Turismo em busca da Ecoeficiência
MUDANÇAS CLIMÁTICAS E TURISMO, UM DEBATE
INADIÁVEL
A mudança do clima pode ser considerada como um dos principais
fenômenos globais a serem prevenidos nesse e nos próximos
séculos. Os seus impactos já podem ser percebidos, e há cenários
que indicam um aumento em sua freqüência e intensidade das secas
, inundações, furacões, apenas para mencionar alguns exemplos.
O Quarto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental
sobre Mudança do Clima (IPCC) trouxe constatações de considerável
relevância, tendo como base o acúmulo do conhecimento científico
alcançado nos últimos anos. O Painel Intergovernamental
afirma que o aquecimento do sistema climático é inequívoco e houve
avanços de grande magnitude na compreensão e na atribuição
da Mudança do Clima ao aumento das concentrações antrópicas
de gases de efeito estufa na atmosfera. Portanto, torna-se relevante
a mobilização de esforços para reduzir a possibilidade dos cenários
menos otimistas apresentados nos Relatórios de avaliação do IPCC,
por meio de ações que contribuam para a estabilização das concentrações
dos gases de efeito estufa na atmosfera de forma a minimizar
os riscos para o sistema climático global. O ritmo acelerado das
mudanças pode ser explicado pelo crescimento insustentável das
economias em todo o mundo, cujos padrões de produção e consumo
consomem cerca de 20% além da capacidade de reposição dos
estoques dos recursos naturais do planeta. Porém, as responsabilidades
pelo problema são reconhecidamente atribuídas, de forma
diferenciada, àqueles que em maior ou menor grau vêm, ao longo
do tempo, contribuindo para o acúmulo de gases na atmosfera O
resultado de vários estudos e o conhecimento acumulado têm mobilizado
amplos setores da sociedade. Já mobiliza inclusive setores
importantes da economia, diante do fato inquestionável de que, se
nada for feito, a humanidade estará comprometendo sua própria
sobrevivência no planeta. Não se trata de uma visão catastrófica,
mas de uma evidência comprovada por estudiosos do tema em
todo o mundo.
ação parlamentar
21
Comissão de Turismo e Desporto
A mobilização que vem fazendo a Organização Mundial do Turismo
em torno do debate sobre as mudanças climáticas globais
reflete o grau de preocupação que o tema traz para um setor da economia
que será plenamente afetado pela intensificação do problema,
podendo comprometer a atratividade e singularidade de paisagens,
em razão da erosão de praias, do branqueamento de corais,
do degelo de geleiras e até mesmo do desaparecimento de destinos
turísticos insulares em todo o mundo
O Governo Brasileiro tem tido um papel preponderante nos
debates internacionais relacionados a questão do clima e tem avançado
no diálogo sobre as medidas mitigadoras a serem implementadas
no país pelos diferentes setores da economia. Internamente,
construiu uma proposta de Política Nacional sobre Mudança do Clima,
que vem se somar aos esforços já empreendidos pelo Congresso
Nacional nesse sentido. Um instrumento relevante da Política vem
sendo também elaborado: trata-se do Plano Nacional sobre Mudança
do Clima, a ser disponibilizado para Consulta Pública a partir do
final de setembro. O turismo tem um papel relevante nesse debate,
por se tratar de um setor que é afetado pelos efeitos das mudanças
do clima, mas que também contribui como parte importante de
emissões de gases de efeito estufa, tendo em vista sua logística e
infra-estrutura.
A preocupação com a melhoria da sustentabilidade ambiental do
turismo já levou o Ministério do Meio Ambiente a buscar estratégias
de atuação integrada com o Ministério do Turismo para engajar
o setor turístico na melhoria de sua performance ambiental e na
aceleração de medidas para que o setor adote padrões mais sustentáveis
de produção e consumo em toda a sua cadeia de produtos
e serviços. O projeto de elaboração da Agenda Ambiental para o
Turismo, pactuada pelos dois ministérios deve se traduzir em instrumento
de política pública voltado para a construção de um conjunto
de diretrizes, estratégias, programas e projetos para promover
a melhoria da sustentabilidade ambiental do setor.
Outra iniciativa relevante implementada pelo MMA, em parceria
com o Ministério do Turismo e o Programa das Nações Unidas para
o Meio Ambiente - PNUMA, é a Campanha Passaporte Verde, que
visa estimular os turistas a adotarem padrões de consumo sustentáação
parlamentar
22
Mudanças Climáticas: O Turismo em busca da Ecoeficiência
vel, estimulando-os a reduzir os impactos negativos do seu comportamento
e de suas escolhas sobre o meio ambiente e a cultura dos
destinos que visitam. Essa campanha que deve ser desenvolvida
em todo o mundo, começará a ser implementada no Brasil, no município
de Paraty como o destino piloto, e enfocará a questão das
mudanças globais do clima como um dos temas centrais no processo
de conscientização da sociedade brasileira, rumo a atitudes de
consumo ambientalmente mais responsáveis.
O oportuno engajamento do Congresso Nacional vem se somar
aos esforços para ampliar as discussões sobre o assunto. A iniciativa
de adotar o tema “Mudanças Climáticas: O Turismo em Busca da
Ecoeficiência” como lema da II Semana Nacional do Turismo no
Congresso Nacional, dá eco às preocupações dos dois ministérios
no sentido de engajar o setor turístico nas iniciativas de combate
aos efeitos climáticos gerados pelo processo de degradação dos ativos
ambientais que são a base de recursos para que a atividade se
desenvolva de forma sustentável e duradoura. O Congresso Nacional
é, sem dúvida, uma instância capaz de levar o tema ao patamar
de discussão política que a questão requer, e como um importante
interlocutor na processo de construção e implementação de uma
política de estado voltada à sustentabilidade ambiental da atividade
turística que minimize os impactos do turismo frente à realidade
ameaçadora do aquecimento global para o próprio setor.
Ministro Carlos Minc
Ministério do Meio Ambiente
ação parlamentar
23
Comissão de Turismo e Desporto
MUDANÇAS CLIMÁTICAS: O TURISMO EM BUSCA DA
ECOEFICIÊNCIA
Por que discutir turismo e alterações climáticas?1
“O turismo é vítima e responsável pelo aquecimento global,
e sua contribuição às emissões de gases que provocam o Efeito
Estufa é de quase 5%.”
Francesco Frangialli, presidente da OMT (2007)
Para marcar o Dia Mundial do Turismo (27 de setembro), a Organização
Mundial do Turismo - OMT propõe a discussão de um novo
desafio: o de discutir, de maneira mais ampla e fundamentada, os
impactos das alterações climáticas na operação e no desenvolvimento
de destinos turísticos em todo o Planeta.
O sociólogo francês Jean Viard adverte que atualmente, no discurso
mundial sobre turismo sustentável, 80% é publicidade e apenas
20%, realidade, sendo fundamental inverter essas proporções
na próxima década. Pascal Aquillon, fundador da Associação Francesa
de Ecoturismo, completa afirmando que “no que diz respeito
aos viajantes, o turista sustentável é ainda marginal, apenas 2% deles,
mas se registra uma forte progressão”.
Se hoje o quadro é preocupante, no futuro, este poderá ser sinônimo
de catástrofe. Estudos da OMT apontam que o crescimento
vertiginoso do turismo internacional, a se manter as práticas atuais
(em 1950, a atividade envolvia apenas 25 milhões de pessoas; hoje
mobiliza cerca de 900 milhões de cidadãos em todo o mundo; em
2020, poderá chegar a 1,6 bilhão de turistas), resultará, em apenas
três décadas, emum aumento de 150% das emissões de gases do
Efeito Estufa ( dióxido de carbono - CO2, o óxido nitroso- N2O,
o metano, CH4, o hexafluoreto de enxofre - SF6, os hidrofluorcarbonos
- HFC, e os perfluorcarbonos, PFC – gases controlados pelo
Protocolo de Quioto).
ação parlamentar
24
Mudanças Climáticas: O Turismo em busca da Ecoeficiência
Os impactos das mudanças climáticas no Turismo
Segundo o documento “Mudanças Climáticas e Turismo: responder
aos desafios mundiais”, elaborado pela OMT, em parceria com o
Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente - PNUMA, e a
Organização Meteorológica Mundial – OMM, para apresentação na
2ª Conferência Internacional sobre Mudanças do Clima e Turismo
(Davos, Suiça, 1 a 3 de outubro de 2007), as mudanças do clima afetarão
os destinos turísticos, sua competitividade e sustentabilidade
em quatro grandes áreas:
1. Impactos climáticos diretos
O clima constitui um dos fatores determinantes para escolha
pelo turista do local a ser visitado. O fluxo turístico é, muitas vezes,
marcado pelas condições climáticas do destino. A sazonalidade tem
impacto nos custos operacionais dos empreendimentos do setor.
Assim, qualquer mudança nas condições naturais das estâncias turísticas
pode influenciar decisivamente as relações de concorrência
entre destinos e, conseqüentemente, sobre a rentabilidade das empresas
turísticas. O aumento, por exemplo, das temperaturas máximas
amplia a intensidade das tempestades e a velocidade máxima
dos ventos, gerando, de forma mais intensa, precipitações e secas
prolongadas em muitas regiões continentais. Esse quadro climático
poderá prejudicar as empresas do turismo ao exigir cuidados especiais
com a infra-estrutura, medidas adicionais para a preparação
em caso de emergências, aumentando assim os custos de operação
do Negócio Turismo ou mesmo interrompendo sua operação.
A par disso, as mudanças climáticas ameaçam diretamente a parte
financeira do turismo, com as perspectivas de desaparecimento de
atrativos turísticos como, por exemplo, as neves do Kilimanjaro ou
as ilhas Maldivas.
ação parlamentar
25
Comissão de Turismo e Desporto
2. Impactos indiretos das mudanças ambientais
As condições do meio ambiente são um recurso essencial para
o turismo. Variações quanto à disponibilidade de água, a perda de
biodiversidade, a degradação estética da paisagem local e até mesmo
alterações na produção agrícola (no caso, por exemplo, a visita
a vinhedos), poderão a médio prazo afastar os turistas da região.
Destinos insulares, zonas montanhosas e costeiras são especialmente
sensíveis às mudanças ambientais causados pelas intempéries do
clima, prejudicando as práticas do Turismo de Sol e Mar, do Turismo
de Aventura ou ainda do Turismo Ecológico. Mas também para
o Turismo Histórico e Cultural haverá significativos impactos. A
UNESCO identificou uma série de sítios inscritos na Lista do Patrimônio
do Mundo, destinos turísticos de grande atratividade hoje,
que se tornarão vulneráveis à primeira vista a essas mudanças climáticas,
tais como: Veneza (Itália), no que diz respeito à elevação
do nível do mar; a Great Barrier Reef, da Austrália, por causa da
mortalidade e do branqueamento de corais; a International Peace
Park-Geleira Waterton (EUA e Canadá) pelo recuo dos blocos glaciais;
e a zona arqueológica Chan Chan (Peru) afetada pelas inundações
e a erosão resultante de El Niño.
O setor do turismo é bastante vulnerável à mudança do clima,
seja pelos efeitos diretos ou indiretos. O IPCC afirma, em seu 4º Relatório,
que “próximo ao final do século XXI, a elevação projetada
do nível do mar afetará as áreas costeiras de baixa altitude e com
grandes populações. O custo da adaptação poderia chegar a 5 a 10%
do PIB. Projeta-se que os manguezais e recifes de corais sejam ainda
mais degradados, com conseqüências adicionais para a pesca e o
turismo”.
“Prevê-se que a deterioração das condições costeiras, como a
erosão das praias e o branqueamento dos corais, afete os recursos
locais, como por exemplo, os criatórios de peixes, e reduzam o valor
desses locais para o turismo” (informação referente às pequenas
ilhas, mas que também cabe à realidade brasileira).
ação parlamentar
26
Mudanças Climáticas: O Turismo em busca da Ecoeficiência
3. Impactos das políticas de mobilidade e da redução do
turismo
Estima-se que devido à expansão acelerada das empresas de “baixo
custo”, quase metade dos 898 milhões de turistas que percorreram
o planeta em 2007 viajaram de avião. A atividade de transporte
aéreo responde por 40% das emissões de CO2 provocadas pelo turismo,
o que acaba por acelerar o processo de aquecimento global
do Planeta. Vários governos em todo o mundo já se debruçam sobre
a elaboração de políticas nacionais ou internacionais de atenuação
dos impactos ambientais das mudanças do clima. Na busca por reduzir
as emissões de gases do Efeito Estufa são adotadas medidas
que impactam no aumento nos custos de transporte e, até mesmo,
na elevação da carga tributária das empresas turísticas em virtude
de dispositivos legais de proteção ambiental, como ICMS Ecológico
e restrições para a visitação de atrativos. Mas do que inibir o desenvolvimento
do turismo é preciso estimular práticas ambientalmente
mais amigáveis e promover uma melhor educação ambiental
no setor, mudando não só as atitudes de turistas e seus padrões de
consumo, mas reduzindo efetivamente as emissões decorrentes da
expansão do setor.
4. Impactos indiretos das mudanças sociais
As alterações climáticas ameaçam o futuro não só do ponto de
vista ambiental, mas também do desenvolvimento econômico e da
estabilidade social em todo o mundo. O esgotamento dos recursos
naturais, o trabalho infantil, a prostituição e o abandono das
culturas tradicionais são alguns dos reflexos do turismo gerados pela
expansão das viagens nos países do hemisfério norte para os países
em desenvolvimento do sul. E este cenário poderá ser ainda mais
agravado. No relatório da ONU sobre a economia e as alterações
climáticas, se observa que, embora um aquecimento do planeta de
apenas 1°C poderia beneficiar o PIB mundial, uma mudança climática
de maiores proporções terminaria por prejudicar a economia em
todo o planeta, com a queda na produção de alimentos, a redução
ação parlamentar
27
Comissão de Turismo e Desporto
do consumo e de capital circulante, o aumento do desemprego etc.
Qualquer redução do PIB mundial causada pelas alterações climáticas
levaria também a um decréscimo da renda e, por conseguinte,
a uma menor disponibilidade de recursos para se gastar com o
turismo, o que teria impacto nas previsões de crescimento futuro
do setor, mas também reduziria o poder de geração de emprego e
renda potencializados pela atividade turística.
As Emissões de CO2 e a Atividade Turística
O relatório da OMT/PNUMA/OMM foi a primeira tentativa de
se calcular as emissões de CO2 em três subsetores turísticos: transporte,
alojamento e atividades turísticas. Segundo o mencionado
estudo, considerando as emissões provenientes de fontes nacionais
e internacionais geradas pelo turismo, estes três subsetores da cadeia
produtiva do turismo representam cerca de 4,9% das emissões
mundiais de gases do Efeito Estufa (dados de 2005).
Tabela 1:
Contribuição de diferentes subsetores turísticos para as emissões de CO2
Subsetores
Emissões de CO2
(milhões de toneladas)
Atividades turísticas 48
Alojamento 274
Outros tipos de transportes 45
Transporte por automóvel 420
Transporte aéreo 515
Total 1.302
Emissões mundiais 26.400
ação parlamentar
28
Mudanças Climáticas: O Turismo em busca da Ecoeficiência
Figura 1.
Distribuição geográfica dos principais impactos das
mudanças climáticas nos destinos turísticos
Fonte: Organização Mundial do Turismo (OMT) / Programa das Nações Unidas para o Meio
Ambiente (PNUMA) 2008, Mudanças Climáticas e Turismo – Responder aos Desafios Mundiais,
Sumário, OMT; Madri
Para lidar com as emissões de gases do Efeito Estufa geradas pelo
turismo, o relatório da OMT/PNUMA/OMM distingue quatro estratégias
básicas para a atenuação desses impactos:
I. a redução do consumo de energia;
II. a melhoria da eficiência energética;
III. o aumento da utilização de fontes de energias renováveis; e
IV. o chamado “seqüestro” de carbono.
ação parlamentar
29
Comissão de Turismo e Desporto
O Turismo rumo à Ecoeficiência
Todas as estratégias apresentadas pela OMT se traduzem numa
única palavra “Ecoeficiência”. Uma empresa ecoeficiente é aquela
que consegue produzir mais e melhor, empregando menos recursos
e gerando menos resíduos. Independentemente do setor produtivo
em que se esteja operando, organizações podem alcançar a ecoeficiência
a partir de algumas ações básicas:
a. Reduzir a intensidade com que emprega materiais
b. Minimizar a intensidade de seu consumo energético
c. Eliminar a dispersão de produtos tóxicos/poluentes
d. Fomentar a reciclagem de materiais
e. Maximizar o uso sustentável de recursos renováveis
f. Ampliar a durabilidade dos produtos
g. Promover a educação dos consumidores/clientes para um uso
mais racional dos recursos naturais e energéticos
Vale observar que já existem várias práticas de gestão ambiental
que vem sendo adotadas por empresas de turismo, e a introdução
de avanços tecnológicos também tem assegurado a redução das
emissões dos gases de efeito estufa e também a redução da geração
de resíduos (sólidos, líquidos e gasosos). Apesar de não serem
considerados poluentes, as emissões antrópicas dos gases de efeito
estufa são prejudiciais na medida que contribuem para o aquecimento
global e, consequentemente, para a mudança do clima. Mas
é sempre bom reforçar algumas dessas práticas que estão hoje à disposição
das empresas turísticas quando o assunto é ecoeficiência:
1. Sempre que possível, substitua o transporte aéreo ou de automóvel
pelo ferroviário ou outro meio de transporte coletivo (ônibus).
2. Operadores turísticos devem incentivar, na construção de seus
pacotes, a venda de viagens com menor emissão de carbono, ou
seja, viagens de curta distância ou que envolvam veículos movidos
à fonte energética renovável (biodiesel, biocombustível etc).
3. Quase todas as fontes de energias renováveis são aplicáveis
ao turismo, incluindo a energia eólica, fotovoltaica, térmica solar,
geotérmica e de biomassa. Assim, uma empresa de turismo deve
rever a matriz energética do seu negócio. Dados do Programa de
ação parlamentar
30
Mudanças Climáticas: O Turismo em busca da Ecoeficiência
Energia da Universidade de São Paulo, realizada em 2003, revelou
que enquanto um aquecedor solar gasta cerca de R$ 0,0035 por litro
de água aquecida, um aquecedor a gás gasta R$ 0,64 e um chuveiro
elétrico, R$ 0,89 (Mazzon, 2002 apud Dias, 2008). Portanto, pense
bem antes de decidir qual tecnologia empregar em seu negócio.
Além da otimização de custos, algumas tecnologias garantem uma
menor emissão de gases do Efeito Estufa.
4. Adote, se viável, sistema de cogeração de energia, isto é, sistema
que propiciem a produção simultânea de energia térmica e energia
elétrica a partir do uso de um combustível mais limpo (como, por
exemplo: o gás natural) ou a partir de algum tipo de resíduo industrial
(madeira, bagaço de cana etc.). O sistema pode alcançar um aproveitamento
de até 80% de energia contida no combustível e transformála
em vapor, eletricidade, força motriz e de aquecimento.
5. Para hotéis e restaurantes, outra medida ecoeficiente é incentivar
à reutilização de toalhas de mesa, de guardanapos e de roupas
de cama e banho.
6. Instale sistemas de tratamento de esgoto que permitam o reuso
da água resultante dos chuveiros e lavatórios para irrigação de
jardins, por exemplo.
7. Reduza a vazão da água dos chuveiros, torneiras e válvulas de
descargas. Com essas medidas sua empresa reduzirá o consumo de
água significativamente.
8. A burocracia é inimiga do meio ambiente. Reduza o uso de
formulários impressos e, sempre que possível, faça a impressão de
documentos em frente e verso ou utilize materiais impressos, sem
utilidade, como rascunhos. Com isso não só reduzirá os seus gastos
com a compra de papel, mas também gerará menos “lixo seco”. E
não esqueça: faça coleta seletiva de seu lixo, separando corretamente,
e, a seguir, doe ou venda para recicladoras.
9. Procure reduzir o uso de descartáveis, em particular copos e
embalagens plásticas. Nas feiras e eventos, opte pelo distribuição de
panfletos e sacolas feitas a partir de material reciclado.
10. Outra tecnologia limpa refere-se à prática da compostagem.
Alguns hotéis já se utilizam de sistemas de compostagem. Trata-se
de um processo biológico de decomposição de lixos orgânicos (restos
de alimentos vegetais, folhas etc) transformados em material
estável tipo “humus”, usado na fertilização de jardins e hortas.
ação parlamentar
31
Comissão de Turismo e Desporto
Mecanismo de Desenvolvimento Limpo e Crédito de
Carbono: Alternativas para quem quer atenuar o aquecimento
global
Todos concordam que utilizar modernas tecnologias e processos
menos agressivos ao meio ambiente é fundamental para o Planeta,
mas nem sempre essa é uma solução viável a curto prazo. A obtenção
dos chamados “créditos de carbono” é um caminho novo, mas
que merece ser bem avaliado por empresas e governos.
Em vigor desde fevereiro de 2005, o Protocolo de Quioto representa
um elemento relevante de esforço mundial para mitigar a
mudança do clima. Como um instrumento da Convenção sobre
Mudança do Clima, o Protocolo determinou que os países desenvolvidos,
signatários do acordo (conforme o Anexo I da Convenção
sobre Mudança do Clima) deveriam reduzir suas emissões, em média
e 5% entre 2008 e 2012, com base em suas emissões de 1990. O
Protocolo estabeleceu ainda uma estratégia de flexibilização: o Mecanismo
de Desenvolvimento Limpo - MDL. O MDL é um instrumento
pelo qual países que possuem compromissos quantificados
de limitação ou redução de suas emissões de gases de efeito estufa
(países do Anexo I da Convenção sobre Mudança do Clima) possam
atender parte desses compromissos por meio da obtenção de
créditos de carbono, que no âmbito do MDL são definidos formalmente
como Reduções Certificadas de Emissões - RCEs. Em outras
palavras, os países desenvolvidos poderão cumprir parte de suas
metas de redução e limitação de emissões de gases de efeito estufa
por meio da aquisição dos chamados “créditos de carbono” (RCEs)
gerados em projetos localizados nos países em desenvolvimento
(não pertencentes ao Anexo I) . Com isso, países como o Brasil,
ampliam suas chances de desenvolvimento sustentável. Os projetos
de MDL devem seguir metodologia aprovada pelo Conselho Executivo
do MDL e podem contemplar escopos como: substituição de
combustíveis fósseis, eficiência energética, queima ou utilização do
metano, entre outros. Para a remoção de carbono, estão aprovadas
metodologias para florestamento e reflorestamento.
ação parlamentar
32
Mudanças Climáticas: O Turismo em busca da Ecoeficiência
Algumas ações voluntárias têm sido realizadas no âmbito da neutralização
ou compensação das emissões. Deve-se, no entanto, ter
cautela ao utilizar esse tipo de medida, uma vez que existem muitas
dúvidas acerca de sua real eficácia.
Em primeiro lugar, deve-se pensar no plantio de árvores como
alternativa de mitigação da mudança do clima somente depois de
terem sido implementadas todas as possibilidades de redução efetiva
de emissões de gases de efeito estufa, pois essa ação por si só não
garante a permanência de carbono, podendo não contribuir de maneira
eficaz para a mitigação da mudança do clima. São exemplos
de problemas associados à neutralização de emissões pelo plantio
de árvores: a não garantia de permanência do carbono; escassez de
auditorias qualificadas (monitoramento); e necessidade de consolidação
de metodologias.
ação parlamentar
33
Comissão de Turismo e Desporto
BIBLIOGRAFIA
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proferida na Amazontech 2004, Mesa-redonda: Mecanismo de Desenvolvimento
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do FBMC para o Plano de Ação Nacional de Enfrentamento das
Mudanças Climáticas. Disponível em http://www.forumclima.org.
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principal desafio da indústria de viagens. Disponível em: http://
g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL634740-
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DUSTRIAS+DE+VIAGENS.html. [Acesso 03/07/2008]
MAZZON, Luís A Ferrari. Hotéis buscam reduzir custos da energia
elétrica. Revista Hotelnews – Hospedagem e Alimentação, São Paulo,
nº 37, março/abril, 2002. apud DIAS, Marlene M. Aplicação de
Tecnologias Limpas na Indústria Hoteleira para um Turismo Sustentável.
Disponível em http://www.ethos.org.br/_Ethos/Documents/
aplicacao_de_tecnologias_limpas.doc . [Acesso em 24/07/2008]
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO TURISMO/PNUMA/OMM. Cambio
climático y turismo: Responder a los retos mundiales. Resumo.
Junho de 2008. Disponível em: http://www.world-tourism.org/espanol/
index.htm . [Acesso em 06/06/2008]
SEQÜESTRO de Carbono. Wikipédia. A enciclopédia livre. Disponível
em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Sequestro_de_carbono .
[Acesso em 23/07/2008]
ação parlamentar
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Comissão de Turismo e Desporto
PROPOSTA PRELIMINAR DE AÇÃO A SER COORDENADA
PELO PODER LEGISLATIVO
I. Ações de Mitigação das Mudanças Climáticas no Brasil
1. Isentar de Imposto de Renda as empresas turísticas ou de atividades
intrínsecas ao turismo que investirem em fontes de energia
alternativa (energia eólica, térmica solar, biomassa etc.);
2. Criar sistema de bônus de descontos nas contas de consumo
de Energia Elétrica para empresas que ampliarem sua eficiência
energética;
3. Autorizar a aplicação dos recursos do FUNGETUR – Fundo Geral
do Turismo no financiamento de projetos de atualização tecnológica/
reforma de infra-estrutura turística apoiado na introdução de
tecnologias limpas;
4. Estabelecer incentivos fiscais para renovação das frotas de
transporte turístico rodoviário, baseada em biocombustíveis ou
fontes alternativas de energia;
5. Estabelecer um programa de incentivos à expansão do uso
turístico do transporte ferroviário e marítimo fluvial;
6. Estabelecer Selo de Atuação Ambiental Responsável para os
destinos turísticos que se destacarem na preservação do meio ambiente
e no desenvolvimento turístico sustentável. Os ganhadores
do Selo teriam prioridade nos investimentos governamentais para
o fomento e a promoção turística.
II. Ações de Sensibilização, Educação e Pesquisa
1. Introduzir disciplina sobre Eficiência Energética e Preservação
Ambiental nas redes de ensinos fundamental e médio, pública e
privada do País;
2. Desenvolver campanhas nacionais de atitudes e práticas de
consumo sustentável no turismo; e
3. Estimular as entidades sindicais e associativas do turismo a
elaborarem estudos nacionais e regionais para contabilização/monitoramento
das emissões geradas e evitadas nas diversas subcategorias
econômicas participantes da cadeia produtiva do setor.
Realização
Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados
Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado Federal
Frente Parlamentar do Turismo
Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo/SESC/SENAC
Apoio
Ministério do Turismo
Ministério do Meio Ambiente
Ecocâmara/Núcleo de Gestão Ambiental da Câmara dos Deputados
PARTICIPE - OPINE -
2009 - 40 anos de atividades profissional

10 Dezembro 2009

MARKETING DE CIDADES E REGIÕES

Otavio Demasi


Através de um planejamento estratégico, que traçe alternativas de curto., médio e longo prazo, buscando mapear todas as atratividades possíveis e imagináveis, além das oportunidades de negócios e investimentos, tratando de reforçar os pontos fracos e fortes, visando selecionar e dimensionar as alternativas de prestação de serviços à comunidade, micro, pequenos e médios empresários, negócios correlatos, mídia, eventos, atrações, roteiros, pensando nas alternativas de segmentação, que podem ser distribuídas durante o ano todo, minimizando esforços e investimentos; centrando o foco nos públicos alvos, com serviços, produtos, pacotes que satisfaçam e que caibam nos seus gastos.
O burilamento da imagem, através de um extenso e detalhado plano de comunicação, que envolvam todas as midias, canais de distribuição, pontos de vendas, mirando os públicos formadores de opinião, colaborativo, compradores e fornecedores em potencial onde se leve em conta o custo-beneficio , juntando o engajamento de cada morador, empresa, associação, entidade, governo, numa campanha conjunta, através do recurso disponível de cada um, tendo em comum a alternativa da internet, onde pode-se atingir um universo gigantesco.
“Cidade e Região Criativa”; vertente cultural , preservancionista, sustentável, com a valorização da “prata da casa”, conservação, ampliação e fomento de fatores diversos como:/desing/ folclórico/gastronômico/ lingüístico/ arquitetônico/ histórico/ literário/natural, entre outros, sempre tendo em conta a conscientização, a informação, o bem receber e o profissionalismo de todos, apoiados num receptivo que contemple as potencialidades e vocações, com roteiros os mais diversificados, estruturado em mão-de-obra técnica local, preços compatíveis, sinalização e principalmente a vontade de oferecer o melhor aos turistas o ano todo.
O conceito de “felicidade” é algo que deve ser introduzido às ações de marketing, pois toda a estruturação mercadológica, estudos, pesquisas, levantamentos, deve ter esse componente importantíssimo – o sentir-se bem, o acolhimento pleno – a satisfação de estar naquele núcleo e ou região, onde a satisfação do égo e o prazer de estar vivenciando aquele território, é muito maior do que os gastos dispendidos; e isso não se consegue com publicidade, mensagens, cartazes, folhetos, empresas funcionando como um relógio preciso e sim com toda a sinergia que une comunidade e a natureza.

Otavio Demasi – consultor de turismo – jornalista Mtb 32548
www.odtur.blogspot.com - e-mail: odtur@ig.com.br Tel011-55485105/83422672
2009-40 anos de atividades profissional
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09 Dezembro 2009

GOVERNADOR JOSÉ MARANHÃO/PB, LIBERA ÁREA DO PÓLO TURÍSTICO CABO BRANCO

Àrea hoteleira do Polo Turístico está liberada para novos empreendimentos, diz Maranhão.







O governador José Maranhão informou que área hoteleira do Pólo Turístico Cabo Branco já está liberada para novos empreendimentos. Para ele, o pontapé inicial para alavancar a área do pólo e do turismo é o início das obras de construção do Centro de Convenções. “Eu deixei a infraestrutura e o saneamento básico feitos antes mesmo de a área ser liberada”, explicou.
Maranhão disse que se faz urgente que a Paraíba abra espaço para a construção de hotéis e que não se pode pensar em desenvolvimento turístico oferecendo apenas as belezas naturais das praias ou do patrimônio histórico. “João Pessoa é uma das cidades mais antigas do Brasil e, por isso, tem verdadeiras relíquias da arquitetura colonial”, destacou.
Agora, o governador lembra que apesar desse patrimônio histórico, a cordialidade do paraibano é o maior produto turístico do Estado. “Isso tudo ainda é pouco. Temos de oferecer aos turistas bons hotéis, boas estradas, sistema de esgotamento sanitário e de abastecimento de água. Turismo é, antes de tudo, qualidade de vida”, afirmou Maranhão.
Ele lembra que os turistas não se deslocam da Europa ou dos Estados Unidos em busca apenas de praias bonitas e limpas. “O turista quer vir para um hotel de qualidade, quer se deslocar por estradas onde não têm poeira. Ele quer esse ambiente de bem-estar. É esse conjunto que a Paraíba precisa oferecer aos turistas”.
Para o governador, o Pólo Turístico do Cabo Branco, onde serão construídos hotéis de primeiro mundo, e o Centro de Convenções serão os grandes impulsionadores do turismo em João Pessoa e na Paraíba. “Nós não vamos atrair grande convenções à Paraíba se não tivermos o Centro de Convenções”, ressaltou.

Sony Lacerda, da Secom

TECNOLOGIAS DIGITAIS DE RELACIONAMENTO NA ATIVIDADE TURISTICA

Otavio Demasi


70 milhões de brasileiros – 2009 - estão conectados via internet; isso significa mudança, mudança e mais mudança no planejamento estratégico de qualquer empresa e até mesmo do prestador de serviço: Twitter, You Tube, Orkut, Facebook, Google, Blogger, Linked In, Flickr, é tão recente que deixa perplexo e atônito todo mortal à frente de qualquer negócio, ainda mais quando se trata com pessoas. A comunicação saiu das mãos dos comunicadores, jornalistas, gerentes de marketing, parando nas mãos dos consumidores, através dessas novas mídias e dos milhões de blogueiros por todo o planeta, além do data base, data center, crm, IP, etc.
O olhar de quem decide, visando realizar negócios, conseguir formadores de opinião, espaços com citações, ser bem lembrado na rede de computadores, não é tarefa tão simples, embora não tenha custos tão altos à priori, pois a ferramenta faz parte do dia-a-dia de milhões e já tem seu custo coberto nas despesas operacionais, seja empresarial ou caseira. A internet é um compartilhamento total; seu conteúdo no geral é colaborativo, é de alcance mundial, tendo o poder de construir e destruir ao mesmo tempo, com seu alcançe planetário, influindo em compradores e não compradores.
Importante é conhecer e classificar ao máximo o consumidor, por isso se faz necessário ter banco de dados, com minúcias, sempre atualizadas, pois o comportamento de quem consome muda tanto quanto muda o mundo digital. A exigência do consumidor aumentou e muito e o trabalho on-line em muito pode agilizar os negócios, contatos, respostas, informações, pois pode-se “estar próximo ao consumidor”, garantindo a sua fidelização, sabendo de suas opiniões, queixas, sugestões e mesmo vontades e desejos antecipadamente para melhor atende-lo, conquistando o seu coração e bolso.
A internet ajuda a fidelizar a clientela, desde que façamos dela nossos parceiros e estejamos sempre plugados, solicitando sempre sua participação, respondendo aos seus anseios e necessidades, trocando e buscando idéias dos internautas. A possibilidade de ampliar nosso universo de consumidores é infinita, mas devemos ter em conta a nossa capacidade de absorção de novas demandas e primordialmente preenchendo os vácuos de consumo onde sofremos quedas de vendas durante épocas específicas, justamente para evitar que o comprador(a) habitual, seja simplesmente trocado por outro, evitando o seis por meia dúzia.
A prospecção do mercado, também pode nos levar a implementar novos serviços, ampliar instalações, buscar novos parceiros, trabalhar nichos segmentados, mas antes de tudo, devemos entender quem está do outro lado da tela, quais suas sutilezas, qual o seu montante de gasto, seus hábitos, o que pensa, como compra, o que quer comprar, quando e quanto, o que quer receber e como quer ser atendido, entre outros. É sabido que é uma grande massa; são 70 milhões de internautas, temos também 20 milhões que emergiram para a classe média e pouco ou quase nada sabemos dos seus hábitos de consumo. A ferramenta está à disposição; mas é preciso trabalhar com esmero e profissionalismo.
Otravio Demasi – consultor de turismo – jornalista Mtb 32548 – www.odtur.blogspot.com - e mail : odtur@ig.com.br tel: 11 55485105 Cel 83422672 - Artigo disponível para reprodução, desde que citada integralmente a fonte.

08 Dezembro 2009

Iguape /SP torna-se Patrimônio Nacional

Centro Histórico de Iguape (SP) é Patrimônio Nacional
No último dia 3 de dezembro, o Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) tombou como patrimônio nacional o Centro Histórico de Iguape, no litoral sul de São Paulo. No mesmo dia do anúncio, a cidade celebrou 471 anos de fundação.

“O título é o reconhecimento do valor do conjunto urbano de Iguape, não só com o processo histórico da formação e ocupação do território brasileiro, mas também com o desenvolvimento do País, desde o início da colonização, passando pelo Ciclo do Ouro, no século 16, a cultura do arroz, no século 19, e a do chá, no século 20, diretamente vinculada com a imigração japonesa para a região”, diz o Iphan por meio de um comunicado.

Seminário Turismo Rural e Agricultura Familiar no Piauí

O evento tem como objetivo sensibilizar agricultores familiares para o desenvolvimento do turismo rural e artesanato na agricultura familiar.



A Secretaria do Turismo do Piauí (Setur) participa do Seminário de Sensibilização para o Desenvolvimento do Turismo Rural na Agricultura Familiar, que acontece no município de Cocal a 265 quilômetros de Teresina. O evento é uma realização do Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Piauí (Emater/PI) em parceria com a Setur/PI.


O evento acontece desta quarta feira (9) a sexta feira (11) e tem como objetivo sensibilizar agricultores familiares para o desenvolvimento do turismo rural e artesanato na agricultura familiar.


A turismóloga da Setur, Anacy Castelo Branco, irá participar do evento ministrando palestras. Na quarta feira (9) abordará sobre o programa de regionalização do turismo, na quinta feira (10) irá falar sobre o turismo rural e na sexta-feira (11) participará de um debate para consolidar as informações apresentadas e proporcionar o debate acerca dos conteúdos, experiências e impressões dos participantes.


Segundo Anecy, o seminário é importante para a valorização das atividades no campo e do patrimônio cultural, desenvolvendo um turismo sustentável. “É extremamente importante a interação com os agricultores para o êxito do nosso trabalho”, afirma.



Eco Viagem

Cursos em Amajari/Serra do Tepequém-RR, qualificam empreendedores

Os empreendimentos na Serra do Tepequém, em Roraima, devem crescer ainda mais. É essa a expectativa da população da região após a conclusão de três cursos de qualificação em atendimento ao turista. Participaram dos cursos 67 moradores e empreendedores da Serra do Tepequém e do Amajari. A entrega dos certificados ocorreu na Pousada Lauro Gondim no Tepequém. Os cursos realizados foram de Cozinheiro Básico, Qualidade no Atendimento ao Turista e Boas Práticas na Manipulação de Alimentos.


Na solenidade de entrega dos certificados, estiveram presentes o prefeito de Amajari, Rodrigo Cabral, o vereador David Silva, e o administrador da Serra do Tepequém, Franscisco Félix. O Sebrae por meio da coordenadora do Projeto Makunaima de Desenvolvimento do Turismo em Roraima, Adriana Freddi, também acompanhou e participou da entrega.


O prefeito afirmou que atualmente a Serra do Tepequém é o ponto turístico mais procurado em Roraima e que esses cursos são muito importantes para qualificar os serviços oferecidos pela comunidade, além de aumentar a renda do município e do Estado. Cabral garantiu ainda manter o apoio aos cursos e parabenizou o resultado final, uma vez que as alunas do curso de Cozinheiro Básico aproveitaram o evento para colocar em prática as aulas. Todo o coquetel da cerimônia foi produzido por elas.


Conforme Adriana Freddi, o projeto atende a vários municípios em Roraima. “Ficamos felizes em ver que os alunos do Tepequém querem muito aprender. Vale a pena apoiar esses pequenos empreendedores por meio das capacitações”, finalizou. O projeto é uma realização do Sebrae e tem o apoio do Senac e da prefeitura do município.


Empreendedores


A empreendedora Wagna Gondin já possui um restaurante na Serra e dispõe de muitas receitas, mas afirmou a importância do curso para qualificar ainda mais os serviços. “Aprendi muitas coisas que não sabia, e agora meus clientes terão um cardápio ainda mais variado”, disse.


Os cursos ajudaram também os alunos que não possuem empreendimentos, mas pretendem aumentar a sua renda. Concluinte de um dos cursos, Maria da Cruz afirmou que tinha habilidades na cozinha, mas nunca havia pensando em fazer negócios com esse talento. “O curso me trouxe habilidades e ainda mais receitas. Agora vou esperar pelas encomendas”, destacou.


A aposentada Cecília Gonçalves fez o curso de Qualidade no Atendimento ao Turista. Ela explicou que a capacitação vai ajudar a receber os visitantes da Serra e trazer uma renda extra a sua família. “Sabemos guiar, mas não sabíamos como atender essa clientela”, explicou.



Eco Viagem

25 Novembro 2009

ENSINO SUPERIOR DE TURISMO ENQUADRADO PELO SESU/MEC, NA ÁREA DE CIÊNCIAS EXATAS E DA TERRA

A Secretaria de Educação Superior (Sesu) consultou desde 2008 às instituições e entidades de educação superior do País para definição do Cadastro de Denominações Consolidadas para Cursos de Graduação nas modalidades de licenciatura e bacharelado. Segundo o Ministério da Educação (MEC), o cadastro servirá de instrumento de gestão estratégica da Sesu para orientar os atos de regulação, tais como as autorizações de novos cursos, os respectivos reconhecimentos e renovações de reconhecimento.
Entre os objetivos do cadastro estão: evitar ou diminuir a incidência de denominações diferenciadas para o mesmo tipo de curso de graduação; melhorar a eficácia de diretrizes curriculares norteadoras já existentes; e facilitar os procedimentos para formulação de novas propostas para criação de cursos de graduação.
Após a consolidação do presente cadastro, os cursos de licenciatura e bacharelado serão classificados pelas áreas tradicionalmente utilizadas na educação brasileira, a saber: ciências agrárias, ciências biológicas, ciências da saúde, ciências exatas e da terra, ciências humanas, ciências sociais aplicadas, engenharias e tecnologia, lingüística, letras e artes e multidisciplinar (experimental).
De acordo com o secretário de Educação Superior, Ronaldo Mota, esta versão preliminar recebeu contribuições, sugestões e complementos dos técnicos da Sesu e ministério em geral, bem como da comunidade acadêmica.
"Após estas providências e conseqüente consolidação da proposta, poderá ser expedido ato do MEC estabelecendo a listagem como referencial básico para a formulação de pedidos de autorização, bem como para a expedição de atos de reconhecimento/renovação de reconhecimento, como forma de dar maior homogeneidade e clareza aos mesmos".
QUAL A SUA OPINIÃO SOBRE ESSA MUDANÇA ?
O QUE MELHORA?
O QUE MUDA?
QUE DIFERENÇA FAZ PARA O MERCADO?
QUE ALTERAÇÕES SERÃO INTRODUZIDAS NO CURRICULUM ?
OUTROS ASPECTOS?
Espaço aberto ás considerações...
2009- 40 anos de atividades profissional

TURISMO DE BASE COMUNITÁRIA: diversidade de olhares e experiências brasileiras

Organização:Roberto Bartholo, Davis Gruber Sansolo e Ivan Bursztyn
Esta publicação é fruto de uma trajetória. Encontros e reflexões que ao longo da última década consolidaram uma abordagem ao turismo desde uma perspectiva mais ampla e complexa do que seguidamente vem sendo tratada como exclusivamente uma atividade econômica. O Laboratório de Tecnologia e Desenvolvimento Social (LTDS) está vinculado à área de Gestão e Inovação do Programa de Engenharia de Produção do Instituto Luiz Alberto Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia (COPPE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro; e é liderado por Roberto Bartholo. O LTDS vem, desde 1996, realizando atividades que procuram unir a reflexão acadêmica ao enfrentamento de carências sociais, reunindo e formando profissionais interessados em aplicar critérios ético-valorativos à criação, gerenciamento e avaliação de modelos inovadores de intervenção e desenvolvimento.
A presente publicação está organizada em duas grandes partes. A primeira parte, intitulada “Diversidade de olhares” é dedicada a um enfoque teórico que possa dar contribuições para conceituação do Turismo de Base Comunitária. Na segunda parte, intitulada “Experiências brasileiras” buscamos expor algumas características das iniciativas apoiadas pelo Ministério do Turismo no âmbito do edital 01/2008. Nossa intenção é dar visibilidade para a diversidade de projetos e seus promotores, divulgando alguns dos lugares e iniciativas que compõem o cenário do Turismo de Base Comunitária no Brasil.
Apresentar um marco conceitual para o turismo de base comunitária não é das tarefas mais fáceis. Muitas são as abordagens possíveis e as referências que podem guiar um discurso que busque definir esta atividade que em sua essência é diversa. Não se pode falar em modelos ou quaisquer outras formas simplificadoras. A diversidade de contextos, histórias, lugares e personagens fazem de cada uma das iniciativas autoproclamadas “comunitárias” únicas. Tentar compreender essa diversidade e extrair ensinamentos que possam subsidiar a formulação de políticas públicas é sem dúvida um grande desafio.
Convidamos, assim, 27 pesquisadores, doutores e mestres, para compartilharem suas visões e experiências. Oriundos dos mais diferentes campos do saber (engenharia, antropologia, geografia, sociologia, ciências ambientais, turismo, jornalismo, economia, etc.) e dos quatro cantos do país e do exterior, os autores buscaram apresentar suas contribuições em forma de ensaios, artigos e estudos de caso. São textos que, no entender dos organizadores, podem contribuir para a compreensão das bases conceituais e, por conseguinte, fornecer ferramentas para o fortalecimento dessa forma de turismo, protagonizado por atores sociais cuja identidade foi forjada na história dos lugares. De forma alguma, desconectada com o mundo, mas distinguindo-se pela sabedoria construída no lugar, com suas crenças, valores, mitos, técnicas, enfim, por aqueles que detêm um patrimônio intangível, mas que existe, que resiste e que se dispõem a aqueles que compreendem o valor da diversidade, da alteridade.
A segunda parte, é dedicada a uma breve descrição dos 50 projetos apoiados pelo Ministério do Turismo por meio do edital 01/2008. A chamada para o edital atraiu cerca de quinhentas propostas de todo o Brasil das quais 50 foram selecionadas por uma banca formada por representantes do Ministério do Turismo, por professores e pesquisadores de algumas universidades brasileiras e por consultores especialistas no tema.
Nosso objetivo foi o de reunir e apresentar as reflexões que hoje já estão disponíveis sobre o turismo de base comunitária, como um passo para um aprofundamento que exige olhares multifacetados, mas também que estejam abertos ao diálogo transdisciplinar que o tema necessita. Acreditamos que esta publicação marque o início de uma parceria entre o Ministério do Turismo e o Laboratório de Tecnologia e Desenvolvimento Social da COPPE/UFRJ, visando o aprimoramento dos instrumentos públicos de fomento ao turismo de base comunitária no Brasil. A consolidação do turismo de base comunitária enquanto atividade geradora de benefícios diretos as comunidades locais necessita de um esforço conjunto dos setores público e privado, da sociedade civil organizada e de instituições de ensino em todo o país.

http://www.ivt-rj.net/

Vide abaixo matéria sobre o evento Turismo e Participação Comunitária, realizado em 1984 em Goiânia, coordenado por este consultor de turismo e jornalista. Espaço aberto ao debate.
2009 - 40 anos de atividades profissional

PUBLICAÇÕES DO MINISTÉRIO DO TURISMO


Tenha acesso às publicações produzidas MTUR

Planos Nacionais Os Planos Nacionais de Turismo 2003-2007 e 2007-2010 baseiam-se na perspectiva de expansão e fortalecimento do mercado interno, com especial ênfase na função social do turismo, objetivando transformar a atividade em um mecanismo de melhoria do Brasil e um importante indutor da inclusão social.
Proposta Estratégica de Organização Turística - Copa 2014 O MTur em parceria com a FGV realizou estudos em todas as cidades candidatas à sede da Copa do Mundo de 2014 no Brasil.
Estudo de Competitividade dos Destinos Indutores O estudo apresenta informações atualizadas sobre a infraestrutura geral, transportes, acesso, equipamentos e serviços turísticos, marketing, sustentabilidade, entre outros elementos determinantes para a seleção dos 65 destinos indutores do desenvolvimento turístico no País, prevista no Plano Nacional de Turismo (PNT 2007-2010).
Revista Roteiros do Brasil A revista Roteiros do Brasil reúne 87 oportunidades de viagem pela diversidade da cultura, gastronomia e paisagens do nosso país. A identificação desses roteiros é resultado do processo de evolução e amadurecimento do mercado turístico nacional, dos órgãos oficiais de turismo e deste Ministério.
Planos de Marketing Os Planos de Marketing permitem avaliar as ações de divulgação do turismo e, na versão mais atualizada, propõem medidas reformuladas para alcançar melhores resultados.
Módulos Operacionais do Programa de Regionalização O que se apresenta nos “Módulos Operacionais do Programa de Regionalização” são direcionamentos para promover o desenvolvimento regionalizado, propiciando a integração de todos os setores econômicos e sociais em prol de um objetivo comum: melhorar a qualidade de vida das populações e dinamizar a economia do País.
Inventariação de Oferta Turística A inventariação da Oferta Turística compreende levantamento, identificação e registro dos atrativos turísticos, dos serviços e equipamentos turísticos e da infraestrutura de apoio ao turismo como instrumento base de informações para fins de planejamento e gestão da atividade turística.
Série Caminhos do Futuro Coleção de manuais lançada pelo Ministério do Turismo com o objetivo de educar a sociedade para o setor.
Desafios do Turismo Sustentável Esta publicação eletrônica faz parte do Projeto "Aperfeiçoamento do Processo de Concepção e Implementação de Programas Regionais de Desenvolvimento do Turismo, objetivando o Alívio da Pobreza", um convênio de cooperação do Banco Mundial com o Ministério do Turismo.
Qualificação Profissional Manuais para o empresariado e guias de aperfeiçoamento profissional foram elaborados para melhorar a qualidade e a segurança dos serviços turísticos, e a gestão sustentável dos estabelecimentos envolvidos.
Relatórios e Estudos de Mercado Para melhor avaliação do Turismo brasileiro, em alguns cenários, são realizados estudos de mercado e relatórios acerca do seu desempenho.
Estudos da Competitividade do Turismo Brasileiro - Centro de Gestão e Estudos Estratégicos Os Estudos de Competitividade e Estratégia Comercial visam a construir um marco teórico que contribua para a reflexão dos agentes turísticos brasileiros futuro do turismo em nosso país.
Guia Brasileiro de Sinalização Turística O Manual de Sinalização apresenta meios para se garantir a eficiência e a segurança do sistema viário para os usuários das vias urbanas e rurais, direcionando-os e auxiliando-os a atingir os destinos pretendidos.
Cadernos e Manuais de Segmentação :Aqui estão disponibilizados cadernos, manuais e estudos que conduzem as segmentações do turismo brasileiro. São materiais elaborados pelo Ministério do Turismo, junto com profissionais e instituições especializados na área, que indicam a realidade do setor.



ADETUR/NORTE PROMOVE SEMINÁRIO

A Agência de Desenvolvimento do Turismo da Macrorregião Norte (Adetur Amazônia) terá a primeira edição do Seminário de Conectividade durante a 5ª Feira Internacional da Amazônia - (Fiam), que inicia hoje, dia 25, e segue até sábado, dia 28, em Manaus. Na ocasião, empresários e autoridades ligados ao turismo do Brasil e de outros países discutirão práticas para o fomento do turismo da região.
Como receberá empresários de diversos segmentos, o evento priorizará setores com potencial para exportação. É o caso do turismo, que começará a ser abordado amanhã, dia 26, no seminário promovido pelo Banco da Amazônia, com o tema "Turismo na Amazônia: inovação e integração como alternativas para estruturação de um destino competitivo". O presidente da Adetur Amazônia, José Raimundo Morais abordará a Dinâmica de integração para promoção do destino Amazônia.
Além disso, no dia 26, será realizado no Auditório da Agência de Fomento do Estado do Amazonas (AFEAM), o 1º Seminário da Adetur Amazônia, Conectividade da Amazônia: responsabilidade de todos os brasileiros, que contará com a participação de toda a diretoria e conselheiros da entidade. Na abertura o presidente da Amazon Sat, Phelippe Daou Júnior, receberá uma homenagem pelo apoio à candidatura da Amazônia no concurso Novas 7 Maravilhas da Natureza.
Em seguida, estão programados quatro painéis. No primeiro, o representante do Sebrae Abase Norte, Elton Pantoja, fala sobre projetos para o turismo regional e nacional. Já o segundo abordará uma pesquisa do Proecotur sobre a expectativa do turista estrangeiro em relação ao que a Amazônia oferece, que é uma parceria com o MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE e será conduzido pelo gerente de capacitação do Proecotur, Fernando Ferreira.
O terceiro será ministrado pela diretora executiva do Amazonas Convention & Visitors Bureau, Adriana Papa, com apoio da Braztoa e levantará a questão da integração de roteiros turísticos. Para finalizar, Banco da Amazônia coordenará o painel sobre financiamento ao turismo amazônico, na figura de Oduval Lobato Neto. O público estimado é de 100 pessoas, entre empresários e líderes governamentais e corporativos.
O Amazonas Convention & Visitors Bureau irá coordenar pela segunda vez a Rodada de Negócios de Turismo. "Este ano nosso enfoque é desenvolver roteiros integrados, um tema primordial para nossa Adetur. Operadores nacionais e internacionais realizarão negócios importantes com empresários de diversos segmentos turísticos dos estados que compõem a Amazônia Legal", informa Adriana.
Para o presidente da Adetur Amazônia, José Raimundo Morais, todas as atividades vão contribuir para o aprimoramento dos produtos turísticos da região. "As operadoras terão oportunidade de apresentar novos roteiros e programas já no próximo encontro da Braztoa, agendado para março de 2010", relata Morais.

20 Outubro 2009

MUSEUS E TURISMO-Premio Mário Pedrosa

Abertas as inscrições para o concurso que premiará matérias jornalísticas relacionadas a museus do Brasil
A segunda edição do Prêmio Mário Pedrosa - Museu, Memória e Mídia, promovido pelo Instituto Brasileiro de Museus, instituição vinculada ao Ministério da Cultura, está com inscrições abertas até 30 de outubro. O edital premiará matérias jornalísticas relacionadas a museus do Brasil sobre o tema Museus e Turismo.
Serão contemplados três trabalhos - publicados em território nacional por veículos de mídia impressa - no período de 1º de janeiro a 30 de outubro de 2009. O 1º lugar receberá R$ 8 mil; 2ª lugar, R$ 5 mil e 3º lugar, R$ 3mil.
Seleção - A comissão julgadora, formada por profissionais das áreas de museus e comunicação, avaliará as matérias observando as seguintes condições: a redação e a estruturação do texto; pesquisa e documentação; profundidade da abordagem, multiplicidade de fontes; enfoque e fidelidade ao tema; caráter inovador ao tema; e construção da narrativa jornalística.
O material contemplado será divulgado em publicação específica, pelo Ibram, vinculado exclusivamente ao Prêmio Mário Pedrosa - Museus, Memória e Mídia.
Museus e Turismo - Com o Prêmio Mário Pedrosa, o Ibram/MinC pretende incentivar os meios de comunicação da mídia impressa a publicar matérias jornalísticas sobre a estreita relação entre os museus e o turismo, tendo em vista os museus como grandes centros de difusão cultural e meios de atração turística, que movimentam todos os setores econômicos da localidade e democratizam o acesso às informações culturais neles contidos.
Confira o edital e os anexos.
Informações: 61) 3414-6207 e (61) 3114-6143 ou editais.ibram@iphan.gov.br, no Departamento de Difusão, Fomento e Economia dos Museus (DDFEM/Ibram).
(Sara Schuabb, Ascom Ibram/MinC)

Museus, Turismo e Lazer: uma realidade possível
Camilo de Mello Vasconcellos1

O Patrimônio Cultural, que pode estar representado em diversos locais, encontra nos museus um cenário ideal para ser exibido. Particularmente na América Latina, onde os índices de analfabetismo ainda são consideráveis, a cultura visual teve e ainda tem um peso enorme em toda a história do continente.Nesta região, inclusive, o número de museus vem crescendo vertiginosamente especialmente nos últimos quarenta anos. O impacto trazido pela construção e inauguração do Museu Nacional de Antropologia da Cidade do México em 1964, não só pela sua monumentalidade, mas especialmente pela participação de culturas indígenas na sua concepção museográfica, acabou trazendo um grande número de inquietações e questionamentos a respeito da função social e educacional desta instituição.Ao lado disso, outro desafio para os museus latino-americanos, foi o de tornar acessíveis as coleções museológicas para um espectro maior de públicos que não apenas uma elite econômica. O reconhecimento da importância do papel educativo dos museus acabou trazendo inúmeras discussões que estão ampliando a importância da atuação destas instituições não só junto ao público escolar, mas também para outros segmentos de visitantes.Apesar de todo este processo de discussões ainda persiste junto ao senso comum, especialmente no Brasil, uma visão que identifica os museus como “locais de coisas velhas”, onde ainda encontram-se exposições herméticas que não contribuem para o entendimento de suas mensagens.Ao mesmo tempo, fruto da sociedade globalizada em que vivemos surgem os “novos mecenas culturais” e as chamadas “mega-exposições”, que utilizam os museus tradicionais como simples “entrepostos de objetos”.Nesse contexto, qual deve ser o papel dos museus como preservadores e comunicadores de um patrimônio que pertence a todos? Como ampliar e dar acesso a novos públicos (e não apenas o escolar) que ainda hoje estão fora do universo museológico? Como aproximar e estabelecer uma relação profícua entre referências patrimoniais, museus e o segmento do turismo, já que este público também vem se apropriando do universo museológico de maneira tão significativa?Ao contrário de países como França, Estados Unidos, Espanha e outros que já reconheceram há bastante tempo o atrativo turístico exercido pelos museus, na América Latina esta discussão é muito mais recente. Mesmo assim, considero que em nosso continente temos um papel relevante para desempenhar junto às políticas culturais contemporâneas na sua possível relação com o segmento do turismo. Para isso é necessária uma série de ações conjuntas que promovam uma eficaz parceria entre estas duas áreas de atuação.Em primeiro lugar devemos reconhecer que o museu pode converter-se em instrumento para fortalecer as identidades e a integração das comunidades e dos povos, promovendo a tolerância, o respeito mútuo e a aceitação da diversidade cultural. A partir desta premissa o museu deve participar, junto às suas comunidades e operadoras de turismo, no planejamento e definição de objetivos, conteúdos, gestão e formas de promoção, buscando-se integrar aos circuitos do turismo cultural. Obviamente esta aproximação deve sempre levar em conta o saudável aproveitamento do potencial destas instituições na perspectiva de uma atuação que venha de encontro ao principal papel já referido do museu: a questão da preservação de suas referências patrimoniais.É necessário que para isso os profissionais dos museus estejam abertos a um diálogo profícuo com os profissionais do turismo, para definir conjuntamente soluções que respeitem tanto o patrimônio como às comunidades e que satisfaçam ao mesmo tempo aos turistas. É um grande desafio, mas que deve ser enfrentado tendo em vista algumas experiências já desenvolvidas com sucesso não só em alguns países europeus e dos Estados Unidos, mas também no México e na Costa Rica.Sabemos que isto não ocorre num “estalar de dedos” e o melhor caminho para iniciarmos esta relação deva ser a criação e a implementação de cursos e programas de formação e treinamento de pessoal em todos os níveis de ensino. Isto possibilitaria formar profissionais multidisciplinares, capacitados para trabalhar na coordenação e no desenvolvimento de planos, programas e projetos turísticos e patrimoniais. Isto já vem ocorrendo no Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, onde o setor educativo existente nesta instituição abre também aos profissionais do turismo, a possibilidade de que estes participem do programa de treinamento dirigido ao aproveitamento de suas exposições museológicas. Existem também outras iniciativas de sucesso no país tais como a Fundação Museu do Homem Americano em São Raimundo Nonato, Piauí. Neste local há uma associação entre a pesquisa arqueológica, museu de sítio, museu ao ar livre e produção de peças artesanais de cerâmica. Além disso, é colocado à disposição do público o conhecimento existente sobre os mais de 400 sítios encontrados na área permitindo a visita in loco das jazidas arqueológicas. O projeto foi concebido também como um pólo de atração turística, visando não só divulgar o patrimônio existente, mas também desenvolver uma economia auto-sustentável numa área onde são poucas as possibilidades de trabalho.Neste contexto, caberia uma questão: quais são as instituições museológicas ou “museus a céu aberto” em que poderíamos realizar experiências e reflexões bem sucedidas como as descritas acima, se nos debruçarmos sobre a realidade patrimonial do município de Santos?Obviamente, com toda a importância histórica deste município não só para o Estado de São Paulo, mas também para o nosso país, poderíamos pensar numa plataforma de atuação riquíssima. Eis um desafio que apresento para reflexão e discussão no âmbito do curso.Cidade e História: Meio Ambiente Lazer e Turismo.

1Doutor em História Social pela USP. Atua há 17 anos como Educador do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP onde também foi Chefe do Setor Educativo e do Serviço Técnico de Musealização (1995-2001). Exerce também a atividade de Professor do Curso de Turismo das Faculdades Integradas Rio Branco.

BRUNO, Maria Cristina Oliveira. “A Museologia como uma Pedagogia para o Patrimônio”. In: Ciências e Letras. Revista da Faculdade Porto-Alegrense de Educação, Ciências e Letras. Nº 31, Porto Alegre, 2002.FUNARI, Pedro Paulo & PINSKY, Jaime (orgs). Turismo e Patrimônio Cultural. São Paulo: Contexto, 2001.Museos, patrimonio y turismo cultural. ICOM, Trujillo, La Paz, Mayo de 2000.



19 Outubro 2009

FESTIVAL DO FRANGO CAIPIRA - SERRO/MG

Atenção gourmets, apreciadores da culinária tradicional e das boas criações do mundo gastronômico. De 30 de outubro a 02 de novembro de 2009, São Gonçalo do Rio das Pedras vai transformar-se, com aquele gostinho especial, nas mais variadas formas de preparo do bom e velho franguinho caipira. É a quarta edição do FESTIVAL DO FRANGO CAIPIRA, que cria e recria pratos à base dessa iguaria, mineira por excelência, aqui com novas leituras.
Todos os restaurantes da cidade vão participar do evento, com pratos que vão desde galeto ao leite até o tradicional frango com quiabo ou ao molho pardo, passando por ousadas e exóticas criações, com misturas inusitadas de temperos e ingredientes. Um bom exemplo são os pratos à base de iguarias da terra, como o Frango com quiabo da lapa e frango com quiababá.
Nada mal, para um evento que começou tímido, mas hoje recebe turistas de várias partes. Organizado pelo Grupo Gestor do Projeto Turismo Solidário, com o apoio do IDENE e do SEBRAE, o festival já faz parte do calendário de São Gonçalo do Rio das Pedras. Além de fomentar o turismo local, aquece o comércio e a troca de receitas e experiências.
GOSTO DE CULTURA
Paralelo ao evento gastronômico, serão realizadas atividades culturais. No sábado, dia 31 de outubro, quem estiver em São Gonçalo poderá visitar a feira de artesanato com todos os seus produtos típicos a bom preço e conferir um show com músicos locais e da região.
Com produção de Cleide Greco, a quarta edição do Festival pretende agregar cada vez mais adeptos da boa culinária, num evento cheio de cheiros, sabores, cores, temperos, prosas e cultura. Um deleite para quem sabe o que a terra tem de bom!

Informações: Cristina Vieira (38) 88120886 e C21vieira@hotmail.com